Coisas da minha semana






Algumas ideias pessoais sobre os temas do dia em Portugal:
Para começar as advogadas boazonas. Se não vêm nada de errado então eu explico em três tempos. Para não falar na especialidade da boutique (sacar as últimas posses de pessoas que sao levadas à falência pelos bancos) é o tom do anúncio que chateia. Existem três poderes oficiais numa república, o judiciário é um deles, e por alguma razão o sector da publicidade e da sedução não o são. São lúdicos, bricalhões, jocosos. Que eu saiba nenhuma destas coisas é ilegal, apesar de eu achar que os juros deviam ser, mas se houver algo na lei que diga que estas sociopatas não podem andar a penhorar famílias e PMEs de colar de pérolas e braçadeiras de ouro... por mim... tá-se bem, na boa. É gozar com as pessoas. A liberdade geral para usar as modas (caras, baratas, sexistas, unissexistas, arrojadas ou conservadoras) existe e hoje a maioria dos códigos de indumentária são impostos nas empresas e instituições que podem limitar o que os seus trabalhadores usam de acordo com a sua função. Neste caso roupa, a edição de vídeo, as expressões, os olhares, expressam um significado emocional e cultural e não sabendo se um decote e uns lábios entreabertos para mostrar a língua aumentam o poder de argumentação num tribunal foco-me no que vi e sei, o anúncio. Este tem um significado que pode ser interpretado. É obviamente um anúncio de classse que explica que este serviço serve a classe de investidores financeiros que, no actual quadro legal, está a conseguir criar mais desigualdade social em nome dessa tal liberdade: liberdade para dar mais poder de acção aos bancos, liberdade para apenas usar o cérebro quando se trata de proveito para a sua classe desconsiderando o resto da sociedade, liberdade para punir quem não cumpre as leis dos bancos.
Quanto aos protestos e boicotes dos professores: se temos um país onde o governo impõe medidas ilegais, e vivemos sob a tutela de uma aliança internacional que pressiona o nosso mais alto posto do poder judiciário para aumentar as doses de austeridade, como é que as pessoas esperam que um dos sectores mais pressionados pela sociedade (é na escola que logo transparece a pobreza e destruição social das políticas) e também dos sectores mais importantes e sérios (em terceiro lugar no orçamento de estado a seguir ao ministério da saúde e ao pagamento da dívida e demais pacotes de resgate aos bancos) tenha o bom senso se deixar o actual processo decorrer sem cometer um erro. O tom de quem manda calar e repreende sem dar uma palavra de apoio em nome da democracia e da liberdade é um bocado como a aconselhar o paciente a esconder os sintomas e ignorar o que sente.
Critica-se o boicote como se fosse fruto de autismo e egoísmo, em nome da liberdade para realizar as provas (uma liberdade questionável claro é). No fundo estas neoliberdades apenas servem para defender uma classse. Para discriminar. Por exemplo, “liberdade de escolha na educação” para este governo significa subsidiar propinas em escolas privadas (não sei se também foram forçados a fazer estas provas os professores do ensino privado) que basicamente fazem discriminação social, seja pela selecção dos alunos com mais facilidades ou pelos que têm pais que conseguem pagar. Muito literalmente, liberdade para discriminar.
E assim começo o dia, com a noção de que talvez seja preferível um autodeterminismo pessoal mas solidário que deixar passar incólume um "anarquismo gourmet" e ainda por cima ter a lata para criticar a revolta de quem fica de fora.
Conjunto de cenas que não gosto mas para as quais me estou a cagar quando vejo alguém na rua com fome: chegar o café antes de acabar o vinho, ver design parecido com o meu mas feito 2 ou 3 anos depois, beber água do meu copo que cheira a ovo depois de comer uma refeição com ovo estrelado, ouvir falar de feminismo e de beyonce na mesma frase, condutores que buzinam nas filas quando há pessoas no passeio.

Conjunto de cenas que não gosto e que me irritam ainda mais depois de ver alguém na rua com fome: praxes, douchebags, os centros das cidades nas horas de almoço com os grupos de bancários de fato a passear, meios de comunicação de massas, a palavra RIOT aplicada a uma festa, pessoas que se queixam dos namorados, pingo doce, carros que valem mais de 25000 euros na baixa do Porto, pessoal que tem a mania que é melhor que é o mesmo que dizer pessoal que está sempre a julgar uma ou outra pessoa por razões que nada têm que ver com justiça.

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